
Dividido entre o mundo da razão e da emoção, sinto a necessidade de recuperar um pouco do “eu”.
Depois de uma semana cansativa, fiquei o sábado inteiro participando do curso de aprimoramento da Escola da Magistratura (juízes), fazendo aquilo que um dia escolhi para mim.
Já era tarde quando cheguei a minha casa. Tinha me esquecido que aos finais de semana minha mãe é minha hóspede. Abracei meus sobrinhos e exausto dirigi-me ao quarto, já pensando que a seguir teria que rever toda a matéria ministrada na minha especialização processual para domingo pela manhã, fechar-me no meu quarto e aplicar a prova de direito civil.
Estranha a sensação de que estava esquecendo-me de algo. Mas ao rever meus sobrinhos todos arrumadinhos, apenas tinha me esquecido que esta noite teria uma festa junina para ir. Desanimei e simplesmente escolhi ficar a noite toda estudando, enquanto minha família fossem se divertir.
Já é tarde, perto da meia-noite, quando resolvi abrir alguns vídeos que não conseguia assistir, pelo fato do meu pai estar ali, naquele tempo, entre nós.
Mas foi assim, na tentativa de me resgatar, que tive a coragem.
A festa de aniversário da minha mãe e ele ali, feliz.
O aperto no coração e a teimosa lágrima que inevitavelmente aflora para se perder.
Imagino-me aqui, entre livros jurídicos, mesmo sabendo de que hoje não necessito mais. A solidão aperta e passo a relembrar minha infância de muitas necessidades e a situação confortável de hoje. Sinto-me obcecado, em aprimorar minha escrita, hoje quase que perfeita para o mundo jurídico, mas tão imperfeita para escrever uma simples carta de amor.
A necessidade de resgatar no tempo aquilo que já fui um dia, um ser humano normal.
Hoje não tenho tempo para a entrega, a não ser para o mundo jurídico, extremamente frio e para o mundo dos negócios, extremamente ganancioso.
Queria saber de onde surgiu a necessidade de ter como condão, a necessidade de ser admirado pelo notório saber jurídico. Principalmente, para saber qual sua finalidade de aplicação ao mundo concreto.
Frustra-me saber que por fim, curvei-me ao mundo extremamente racional.